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Fado – Património Oral e Imaterial da Humanidade

Expressão máxima da música Portuguesa. Nasceu nas ruas de uma Lisboa do século XIX com uma forte componente popular. Habitualmente o fado era cantado de uma forma espontânea dentro ou fora de portas, no trabalho e nos momentos de lazer, cantado em ruas e vielas, tabernas e cafés. Eram cantados temas atuais por vezes evocando problemáticas sociais da época sendo também marcado pela marginalidade dos ambientes onde era executado. Devido a esta associação ao lado mais marginal da sociedade, o fado era rejeitado pela esfera intelectual da época. Mas, havia ainda assim, uma comunhão nos espaços lúdicos entre a aristocracia boémia e a população mais desfavorecida de Lisboa. Desse convívio viria a nascer o mítico romance entre o Conde de Vimioso e Maria Severa Onofriana (1820-1846), meretriz, bem conhecida pelos seus dotes de cantadeira e que se viria a tornar na primeira grande diva da história do fado. Tal romance viria a inspirar várias expressões artísticas, nomeadamente letras de fados.

Com o advento do teatro de revista, nascido por volta de 1851, o fado passaria a integrar os seus quadros musicais, aí seria mais notoriamente cantado o contexto sociocultural dos bairros típicos de Lisboa.

O fado viveu o seu momento glorioso entre os anos de 1930 e 1974 sempre aliado ao teatro de revista e com o aparecimento da rádio, foi ganhando uma componente de crítica social, com letras a desafiar a censura imposta pela ditadura que se vivia à época.

Com o aparecimento do cinema mais nomes talentosos se vieram juntar aos populares no canto do fado, nomeadamente Hermínia Silva, Fernando Maurício, Maria Alice, Max, Maria Teresa de Noronha, o grande Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo e a grande e absoluta diva do fado Amália Rodrigues.

Sendo o fado acompanhado preferencialmente à viola e à guitarra, surgiram também nomes grande a este nível, podendo destacar entre tantos outros Raúl Nery, Fontes Rocha, Jaime Santos, António Chainho e o genial Carlos Paredes.

Após a revolução de 1974, o fado conhece um período menos bom da sua história, que é afetado por conotações políticas. Nos anos 80 a crise mantém-se, uma vez que as novas gerações não sentem ima particular ligação com as temáticas expressas pelo fado. Está-se perante uma geração consumista que não partilha dos mesmos valores cantados à época do auge, até então, do fado.

A partir do meio da década de 90 e com o desvanecer da crise, o fado vive a sua fase revivalista, onde surgem novos nomes no fado que lhe vêm dar uma lufado de ar fresco, tais como Mísia, Paulo Bragança, Dulce Pontes, que sempre apadrinhados por grandes nomes do fado dito mais tradicional, como João Braga, Rodrigo, Maria da Fé, Carlos do Carmo e a sempre presente influência de Amália Rodrigues, vêm dar ao fado um nova imagem e notoriedade. O fado começa a ser mais ouvido além-fronteiras e a ser premiado no estrangeiro, é a globalização.

Nomes mais atuais que glorificam o nome de Portugal são Camané, Mísia, Mafalda Arnauth, Kátia Guerreiro, Ana Moura, Hélder Moutinho, mas a juntar-se à realeza do fado já ocupada por Carlos do Carmo e Amália Rodrigues veio a juntar-se Mariza, que continuam a divulgar o fado aquém e além-fronteiras.

A glória suprema chega com a aclamação do fado como Património Oral e Imaterial da Humanidade, pela Unesco, em Novembro de 2011, candidatura essa que teve como grande impulsionador Carlos do Carmo, que mais tarde, em finais de 2014 veio ele mesmo a ser distinguido com o mui importante prémio de carreira atribuído pela academia dos Grammy’s latino, sendo até hoje o único português a alcançar tamanha honra.

Em Lisboa, é possível desde 1998, visitar o Museu do Fado que documenta toda a história do fado desde as suas origens até aos dias de hoje, certamente uma visita a não perder.

Influência da arquitetura Árabe em Portugal

A arte islâmica conheceu o seu desenvolvimento em Portugal durante a presença muçulmana no país (712-1249).

A originalidade de estruturas arquitetónicas e dos motivos ornamentais deram origem a uma arquitetura muito própria tipicamente muçulmana. O arco em ferradura, de influência visigótica é a imagem de marca da civilização muçulmana em Portugal. A ornamentação é uma das grandes características da arquitetura árabe com que uma grande profusão de superfícies decoradas que faz com que as estruturas fiquem parcialmente escondidas preenchendo todos os espaços numa decoração que viria a se conhecida como Horror do Vazio, com repetição de motivos geométricos, cosmológicos, a caligrafia e motivos de origem vegetal estilizados.

Após a conquista muçulmana do século VIII, a região de Sintra viria a ser ocupada, tendo sido erguida a primitiva fortificação de Penedia (VIII-IX). As cidades islâmicas eram situadas de forma a dominar grandes percursos de água, tais como Al-Usbuna (Lisboa), Santarim (Santarém), Kulümriyya (Coimbra), Märtula (Mértola) ou Silb (Silves). Cidades estas que reciclaram espaços, estruturas e materiais do período romano.

Como exemplos emblemáticos da influência arquitetónica árabe em Portugal temos: o Castelo de Silves (Algarve), o Castelo dos Mouros em Sintra, o Castelo de Mértola, a Igreja Matriz de Mértola, que não é mais que o reaproveitamento cristão da antiga mesquita muçulmana.

Estilo Barroco

Tendo surgido em Portugal num período difícil a nível político, económico e social, altura do domínio Filipino em que a nação havia perdido a sua independência, viria a durar dois séculos (XVII e XVIII).

Neste conturbado período socio-político-económico da nação nota-se a influência ao nível das artes e da arquitetura. Havendo também a influência da inquisição o estilo reflete-se ao nível dos edifícios religiosos. As igrejas têm por tendência a mesma estrutura com fachadas simples e decoração contida do altar-mor, vindo a ser apelidado por Barroco Severo. Como exemplo temos a Igreja de S. Gonçalo em Amarante, a Igreja do Senhor da Pedra em Óbidos, a Igreja do Senhor da Cruz em Barcelos.

Entretanto ocorre o tremor de terra de 1755 com a destruição de vários edifícios. Nesta altura o rei começa a mandar construir edifícios civis bem como os religiosos, nomeadamente as alterações no Paço da Ribeira em Lisboa. Ficando nesta altura marcada a decoração em Talha Dourada nas paredes e retábulos e azulejaria. É tempo do barroco pleno com plantas octogonais e hexagonais tais como por exemplo no Convento de Mafra e Igreja dos Clérigos no Porto.

Estilo Gótico

O estilo gótico foi o estilo predominante Portugal nos últimos séculos da idade média, vindo a ser substituído pelo estilo manuelino.

Introduzido em Portugal pela ordem de Cister tem no Mosteiro de Alcobaça o seu primeiro edifício com um estilo limpo e simples dos Cistercienses, tendo adotado também como matriz do estilo a Igreja de Santa Maria do Olival em Tomar.

Várias outras ordens religiosas vieram a adotar o estilo arquitetónico tendo criado várias igrejas e mosteiros de Norte a Sul do país nomeadamente Igreja de S. Francisco em Santarém, o Convento de S. Francisco no Porto, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, o Convento de S. Domingos de Elvas.

Arquitetura caracterizada pela presença de abóbodas cada vez mais elevadas e maiores, apoiadas em pilastres ou feixes de colunas. Várias das paredes espessas dos edifícios viriam a ser substituídas por rosáceas e vitrais tendo como consequência uma forte iluminação do ambiente interno.

Estilo Manuelino

Gerado da vontade de D. Manuel I (1491-1521) e do espírito criativo que se vivia em Portugal. Numa época em que os navegadores portugueses se deram a conhecer ao mundo e deram ao mundo o conhecimento de outras civilizações longínquas.

Vários artistas dessas longínquas paragens vieram para Portugal, desse encontro de culturas veio a nascer o estilo manuelino, que é considerado uma interpretação do estilo gótico.

Como ex-libris deste estilo tem como maior exemplo a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos, ambos em Lisboa, e o Convento de Cristo em Tomar com a sua emblemática Janela do Capítulo.

Tem por característica a exuberância de formas e uma forte interpretação naturalista-simbólica. Os motivos mais frequentes do estilo manuelino são a esfera armilar, interpretada como sinal de um desígnio divino, a cruz da ordem de Cristo e elementos naturalistas tais como as algas, corais, alcachofras, pinhas, animais, assim como vários elementos fantásticos como sereias e gárgulas bem como elementos náuticos como cordas e fivelas.

 

Doces Conventuais

Doçaria Conventual Portuguesa

Portugal tem uma doçaria conventual extremamente rica. Tais iguarias têm como ingredientes de eleição o açúcar, ovos (gemas sobretudo) e as amêndoas. São utilizados também outros ingredientes tais como o doce de chila (principalmente no Alentejo) e a folha de obreia (hóstia) utilizado em vários doces como os Celestes de Santa Clara ou as Gargantas de Freira.

Só após o século XV, com a divulgação do açúcar, os doces conventuais atingiram a sua fama. O açúcar permitia a criação de ‘’caldas’’ que eram facilmente alcançadas em diferentes ‘’pontos’’ pelas mãos hábeis das monjas.

Portugal, desde sempre teve uma grande produção ovícula e aliada à abundância de açúcar vinda das colónias, fruto do advento das descobertas, estavam criadas as condições ideais para a criação de tais iguarias.

Eis alguns exemplos da doçaria conventual por região e a não perder:

Minho:

Charutos de Ovos | Meias Luas | Papas Doces de Carolo | Fidalguinhos |Fataunços | Pastéis de São Francisco | Bolachas do Bom Jesus | Suspiros de Braga | Clarinhas de Fão | Barrigas de Freira

Douro Litoral:

Sapatetas | Perronilhas | Lérias de Amarante | Tabafe | Pescoços de Freira | Cavacas de Santa Clara | Amarantinos | Pão Podre | Foguetes de Amarante

Trás-os-Montes:

Morcelas | Jerinús | Madalenas do Convento | Doce de Viúvas | Bolo de Nozes de Bragança | Sestas | Pitos de Santa Lúzia | Creme da Madre Joaquina | Velharocos | Toucinho do Céu | Queijadas de Chilas

Beira Litoral:

Pastéis do Lorvão | Nabada de Semida | Morcelas de Arouca | Arrufadas de Coimbra | Nógado de Semide | Lampreias de Ovos das Clarissas de Coimbra | Melícias | Trouxas de Ovos Moles | Manjar Branco |  Pastéis de Tentúgal

Beira Alta e Beira Baixa:

Lâminas | Grades | Bolo de São Vicente | Argolinhas do Loreto | Taroucos de Salzedas | Esquecidos | Cavacas de Santa Clara | Bicas | Bolo Paraíso | Bolo São Francisco | Sardinhas Doces de Trancoso

Ribatejo:

Sonhos de Esperança | Sopapo do Convento | Palha de Abrantes | Celestes de Santarém | Fatias de Tomar | Tigeladas de Abrantes | Broas de Donas

Estremadura:

Bom Bocado | Pão-de-Ló do Mosteiro de Alcobaça | Argolas | Travesseiros | Tibornas | Bolos de Abóbora | Delícias de Frei João | Fitas de Páscoa | Castanhas de Ovos | Marmelada Branca de Odivelas | Toucinho do Céu de Odivelas | Pão-de-Ló de Alfeizarão | Nozes de Cascais | Pastéis de Belém | Pastéis de Feijão

Alentejo:

Bolo Podre Conventual | Fatias Reais | Bolo de Mel de Santa Helena | Bolo de Chavão | Coalhada do Convento | Biscoitos do Cardeal | Padinhas | Almendrados | Orelhas de Abade | Sopa Dourada de Santa Clara | Toucinho do Céu de Santa Clara de Portalegre | Bom Bocado | Encharcada | Sericaia | Pão de Rala | Formigos | Tiborna de Ovos | Torrão Real de Ovos | Bolo Fidalgo | Queijo Dourado | Lampreia de Amêndoa de Portalegre | Presunto Doce

Algarve:

Biscoita | Bolo de Alfarroba | Bolo de Chila e Amêndoa | Bolo de Amêndoas e Nozes | Bolo de Figo e Amêndoa | Doce Fino | Folar | Filhós Algarvias das Freiras de Tavira | Morgado | Queijo de Figo | Queijinhos | D. Rodrigos | Massapão | Pudim da Serra | Torta de Alfarroba | Torta de Amêndoa | Torta de Laranja

Madeira:

Bolo Preto | Bolos de Mel da Madeira | Bolinhos de Azeite | Mexericos de Freira | Rabanadas de Vinho da Madeira | Frangolho | Creme de Chocolate Madeirense

Açores:

Bolo Micaelense de Nossa Senhora da Esperança | Bolo do Diabo | Hóstias de Amêndoa | Malassadas | Rendilhados | Coquinhos | Cornucópias | Pudim Irmã Bensaúde.