Ciência à mesa: o Pint of Science volta a ocupar bares e cafés do Porto
Durante três noites, o Porto troca o ambiente académico pela conversa descontraída. Entre 18 e 20 de maio, o Pint of Science regressa à cidade com uma proposta simples e eficaz: levar investigadores para bares e cafés e criar espaços informais onde a ciência é partilhada de forma acessível, sem palco nem formalismos, de copo na mão.
Criado no Reino Unido, em 2012, o Pint of Science tornou‑se entretanto o maior festival internacional de comunicação de ciência. A lógica mantém‑se desde o início. Em vez de auditórios, escolhem‑se locais de convívio. Em vez de conferências longas, apostam‑se em conversas diretas, abertas a perguntas e à curiosidade de quem passa. A ciência sai do laboratório e senta‑se à mesa.
No Porto, as sessões voltam a acontecer em espaços como o Espiga, a Letraria Porto Downtown e O Caçula Cervejaria, distribuindo a programação por diferentes zonas da cidade. Ao longo dos três dias, investigadores de áreas muito distintas são convidados a falar sobre o seu trabalho, explicando conceitos, partilhando histórias e respondendo às perguntas do público.

O formato repete‑se em todas as sessões. Dois cientistas apresentam os seus temas numa breve introdução, com cerca de quinze minutos cada, antes de se abrir a conversa a quem está no bar. Não há hierarquias nem distância entre quem fala e quem escuta. O objetivo é criar um espaço onde seja possível questionar, discutir e perceber melhor como se faz ciência e o que está por detrás da investigação.
Os temas percorrem um vasto leque de áreas, da linguagem à geologia forense, do ADN à proteção dos sobreiros, da vida no fundo do mar à engenharia química, da inteligência artificial à investigação em museus, passando ainda pela vida no espaço e pelas grandes conquistas científicas. A diversidade é uma das marcas do festival, assim como a tentativa constante de aproximar questões complexas do quotidiano de todos.
No primeiro dia, 18 de maio, as conversas passam por áreas como a linguagem, a geologia forense e as possibilidades do ADN, repartidas entre O Caçula e o Espiga. Na Letraria, o foco recai sobre temas ligados ao ambiente, como a proteção dos sobreiros e os ecossistemas marinhos. Nos dias 19 e 20, a programação continua a circular pelos mesmos espaços, com sessões dedicadas à engenharia, à inteligência artificial, ao património invisível dos museus, à exploração espacial e às grandes conquistas da ciência.
Em Portugal, o Pint of Science realiza‑se em 12 cidades, incluindo Lisboa, Braga, Coimbra, Faro e Aveiro, reforçando a dimensão descentralizada do evento. No Porto, o festival tem vindo a afirmar‑se como um momento de encontro entre ciência e cidade, onde o conhecimento circula fora dos contextos habituais e se constrói através da conversa.
Mais do que transmitir informação, o Pint of Science propõe uma relação menos distante com quem investiga, mostrando que a ciência também se faz de tentativas, dúvidas e contexto. Entre mesas partilhadas e copos pousados, o conhecimento torna‑se acessível sem perder rigor.
O programa completo, com horários e temas de cada sessão, pode ser consultado na página oficial do Pint of Science Portugal.

