Ericeira, a vila atlântica que nunca saiu de moda
Muito antes de ser Reserva Mundial de Surf, a Ericeira já vivia em função do mar. Hoje, continua a fazê-lo — mas com uma confiança tranquila que a tornou num dos destinos costeiros mais interessantes de Portugal.
A cerca de 40 minutos de Lisboa, no concelho de Mafra, a Ericeira mantém o carácter de vila piscatória ao mesmo tempo que acolhe uma comunidade internacional ligada ao surf, à gastronomia e a um estilo de vida informal, mas exigente. Não é um destino de passagem nem um postal parado no tempo. É um lugar vivido, com identidade própria e um ritmo que se mantém constante ao longo do ano.
O reconhecimento como Reserva Mundial de Surf, atribuído em 2011 pela Save the Waves Coalition, veio formalizar algo que já era evidente. Ao longo de cerca de oito quilómetros de costa protegida concentram-se algumas das ondas mais consistentes da Europa, com spots como Ribeira d’Ilhas, Coxos, Foz do Lizandro ou São Julião, cada um com características muito distintas. Essa diversidade explica por que razão a Ericeira funciona tanto para surfistas profissionais como para quem está a começar e também porque o mar faz parte do quotidiano da vila, não apenas do seu imaginário turístico.
Ainda assim, reduzir a Ericeira ao surf seria um erro. O centro histórico, com ruas estreitas, fachadas brancas e apontamentos azuis, continua a ser o coração da vila. Cafés pequenos, restaurantes de peixe e esplanadas voltadas para o Atlântico fazem parte do dia a dia, assim como uma oferta crescente de espaços mais contemporâneos, sem descaracterizar o lugar. Comer bem é fácil, seja num restaurante tradicional junto ao porto ou num endereço mais recente que cruza produto local com influências internacionais.
A envolvente reforça esta sensação de equilíbrio. As caminhadas ao longo das arribas, os miradouros naturais sobre o oceano e a proximidade a pontos de interesse como o Palácio Nacional de Mafra acrescentam profundidade à visita, tornando a Ericeira um destino que funciona para estadias curtas ou prolongadas. No inverno, o ambiente é mais calmo e autêntico; no verão, mais animado, sem nunca perder completamente o controlo.
Talvez seja essa a razão pela qual a Ericeira continua relevante. Não tenta reinventar-se a cada estação nem vive refém de tendências. Mantém uma ligação clara ao território, ao mar e à comunidade, enquanto se adapta de forma natural a quem chega. Um lugar onde o Atlântico dita o ritmo, mas não limita a experiência.
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