BABELL quer transformar o Porto numa cidade literária a partir de junho

De Prémios Nobel a concertos inéditos, passando por performances em espaços históricos e até fogo‑de‑artifício que conta histórias: em junho, o Porto prepara‑se para receber um novo festival literário que quer marcar o panorama cultural nacional. Chama‑se BABELL e a sua ambição é clara desde o início.
O BABELL acontece entre 24 e 29 de junho e vai ocupar o centro histórico da cidade com uma programação que cruza literatura, música, exposições, performances, cinema, poesia e atividades para famílias. É essa mistura pouco convencional que define o espírito do festival e sustenta a promessa de ser “o mais ambicioso do ano”.
Promovido pela Fundação Livraria Lello, em coprodução com a Câmara Municipal do Porto, o festival nasce no contexto da celebração dos 120 anos da Livraria Lello e propõe transformar o Porto numa verdadeira “Cidade‑Livro”, onde a leitura funciona como motor cultural e social. “O BABELL é uma arma cultural capaz de impactar no território e na vida das pessoas”, sublinha Pedro Pinto, administrador da Fundação. A programação completa foi apresentada no final de março, perante mais de 500 pessoas, no Teatro Rivoli.
A abertura do festival acontece a 24 de junho, com epicentro em Leça do Balio. O público é recebido às 16h30 no Jardim do Pensamento e, uma hora depois, tem início a inauguração oficial, com intervenções de Álvaro Siza Vieira e Sidónio Pardal, seguida de uma conferência do filósofo Byung‑Chul Han. À noite, às 21h30, o Teatro Rivoli acolhe Alberto Manguel, com a conferência “Leitura e Resistência”.
No dia seguinte, 25 de junho, o programa espalha‑se pela cidade. Ao longo da manhã e da tarde, são inauguradas exposições na Galeria Municipal, Biblioteca Almeida Garrett, Museu Soares dos Reis e Centro Português de Fotografia. Às 18h30, a Trindade recebe a conversa‑concerto com David Uclés. O dia termina com um dos momentos mais mediáticos do festival: o concerto conjunto dos GNR e Pedro Abrunhosa, às 21h30, na Avenida dos Aliados.
Imagem: Livraria Lello – Ivo Rainho, Unsplash
A 26 de junho, a literatura ocupa o espaço público. Entre o Largo de Santo Ildefonso, a Batalha e a Praça Gomes Teixeira, sucedem‑se encontros com autores portugueses e internacionais ao longo do dia, entre eles Conceição Evaristo, Milton Hatoum, Dulce Maria Cardoso, Héctor Abad Faciolince e Javier Cercas.
O fim de semana concentra alguns dos momentos mais aguardados do BABELL. A 27 de junho, o dia começa cedo com o ciclo “O Porto em 90 minutos”, aulas abertas sobre a cidade na Biblioteca Almeida Garrett, enquanto os Jardins do Palácio de Cristal recebem atividades infantis com dezenas de contadores de histórias. Nesse mesmo dia, a poesia sai à rua com intervenções em vários pontos da cidade, culminando numa leitura a partir da varanda dos Paços do Concelho. À tarde, na Praça Gomes Teixeira, decorrem sessões com Margaret Atwood e Olga Tokarczuk, duas das figuras mais esperadas do festival.
Ao início da noite, pelas 20h15, acontece um dos momentos mais inesperados do programa. Entre a Ribeira e o Cais de Gaia, o artista chinês Cai Guo‑Qiang apresenta uma performance de grande escala, criada especificamente para o BABELL, prometendo “unir e transformar o tempo‑espaço histórico das duas margens do Douro”. Conhecido por projetos como Sky Ladder e pelas cerimónias dos Jogos Olímpicos de Pequim, o artista traz ao Porto um espetáculo pensado à medida da cidade e do festival.
A 28 de junho, a programação continua com cinema, aulas e sessões literárias com nomes como Julian Barnes, László Krasznahorkai e Salman Rushdie, que sobe ao palco do Coliseu às 21h30 para uma das conversas mais aguardadas de toda a semana.
O último dia do BABELL, 29 de junho, é dedicado à reflexão sobre leitura, educação e cidadania. A Biblioteca Almeida Garrett recebe colóquios sobre literacia, enquanto a Praça Gomes Teixeira volta a acolher sessões literárias, entre elas um encontro entre Gonçalo M. Tavares e Lídia Jorge, além do lançamento do novo romance de Valter Hugo Mãe. O encerramento acontece à noite, na Torre dos Clérigos, com o monólogo “Aparição”, de Luís Osório, criado propositadamente para o festival.
Um dos aspetos mais originais do BABELL está no modelo de acesso. Não existem bilhetes tradicionais. Para participar nas sessões, é necessário comprar livros numa rede de mais de 50 livrarias aderentes, sendo que cada livro dá direito a uma senha para reserva online. Há ainda uma regra simbólica: para entrar em qualquer sessão, é preciso ter um livro na mão. Segundo a organização, a medida não tem fins lucrativos e pretende reforçar o papel das livrarias e da leitura no quotidiano. As “bilheteiras” abrem na terça‑feira, 7 de abril.

