3 Dias fantásticos na manta de retalhos açoriana – Ilha Terceira

Considerada a ilha festiva dos Açores, pela animação e vida cultural que oferece, a Terceira junta belas paisagens de campos verdejantes, vestígios de vulcões e uma cidade única, classificada como Património da Humanidade. Com 29 quilómetros de comprimento e 18 de largura, tem muito mais para ver e descobrir do que imagina. Este roteiro mostra-lhe o essencial (e uns quantos segredos) em apenas 3 dias.

Texto: N.R.

1º dia

Angra do Heroísmo é o ponto de partida perfeito para uma viagem pela ilha Terceira, ou não fosse ela Património da Humanidade pela UNESCO (desde 1983) e, para muitos, a cidade mais bonita dos Açores. O centro histórico, reconstruído depois do sismo de 1980, é um exemplo de preservação onde sobressaem edifícios como a Sé Catedral (século XVI), o Palácio dos Capitães-Generais, os Paços do Concelho, o antigo Convento de São Francisco – hoje Museu de Angra – ou a Igreja da Memória.

Depois de os conhecer de bem perto, nada como ter uma perspetiva geral da cidade e da baía que a rodeia a partir dos seus pontos mais elevados: o Alto da Memória, junto ao Jardim Duque da Terceira, e o Monte Brasil, formado a partir da erupção de um vulcão submarino, entretanto extinto. Hoje é uma reserva florestal de recreio com agradáveis parques de merendas, lagos e vários miradouros.

Saindo de Angra do Heroísmo, siga pela estrada costeira que leva até Feteira e faça uma paragem no Miradouro da Cruz do Canário, que oferece belas vistas para o Ilhéu das Cabras. A partir daqui irá encontrar várias zonas balneares, como as de Porto Judeu, Salga, Salgueiros ou Porto Martins, esta última já no concelho de Praia da Vitória.

Para final de tarde nada melhor que assistir ao pôr do sol a partir do Miradouro da Serra do Cume, um dos ex-líbris da ilha, com vistas espetaculares para a manta de retalhos que nasceu na planície interior da ilha, com os seus campos agrícolas divididos por muros de pedra vulcânica.

2º dia

O roteiro de hoje é passado quase sempre junto à costa, pela estrada litoral que dá a volta à ilha. Desta vez, comece na Praia da Vitória, a segunda maior cidade da Terceira, onde não faltam boas praias de areia negra – casos da Praia Grande ou da Praia da Riviera – e outros motivos de visita, como a Igreja Matriz de Santa Cruz, a Igreja da Misericórdia, o Forte de Santa Cruz ou a Casa Vitorino Nemésio, onde viveu o escritor açoriano.

Daqui, siga para a costa norte da lha, com passagem pela Base das Lajes, durante décadas um importante ponto geoestratégico americano. Pouco depois vai encontrar a zona balnear das Escaleiras, que convida a mergulhos a partir de um pequeno areal ou numa piscina aberta ao mar. Segue-se uma visita rápida à povoação de Agualva, com as suas azenhas, e mais um desvio até à Ponta do Mistério, antes de chegar a Quatro Ribeiras, onde vai encontrar a Igreja de Santa Beatriz, o Império do Espírito Santo – um dos muitos que se encontram por toda a Terceira – e as piscinas naturais, que aproveitam as rochas vulcânicas resultantes da solidificação da lava.

O mesmo acontece com as curiosas formações que deram origem à vizinha zona balnear dos Biscoitos, uma das mais antigas e concorridas da ilha. Mas a localidade é igualmente famosa pelo vinho verdelho que se produz nesta região demarcada, para conhecer melhor no Museu do Vinho e, claro, para provar num restaurante local, como por exemplo o Caneta, já na povoação de Altares.

A noroeste da lha, irá encontrar a Mata da Serreta, um parque florestal com exuberante vegetação e um miradouro espetacular, e já na estrada das Doze Ribeiras não deixe de subir até ao topo da Serra de Santa Bárbara, o ponto mais alto da ilha, com 1.021 metros de altitude. Antes de voltar ao seu alojamento – a Casa do Plátano, em Cinco Ribeiras – ainda há uma última paragem obrigatória na queijaria Vaquinha, onde poderá degustar e comprar diversos tipos de queijos.

3º dia

O último dia de viagem é dedicado quase por inteiro ao interior central da ilha. É aqui que fica a Caldeira de Guilherme Moniz, uma enorme cratera com 15 quilómetros de diâmetro, agora cheia de vegetação e, junto a ela, um dos principais pontos turísticos da Terceira: o Algar do Carvão. Trata-se de uma chaminé vulcânica com 100 metros de profundidade, acessível através de um túnel e de escadas. No seu interior, vai encontrar as formações geológicas provocadas pela saída da lava, inúmeras estalactites e, no fundo, uma lagoa de águas cristalinas.

Nas bilheteiras do Algar do Carvão, geridas pela Associação Os Montanheiros, pode adquirir também a entrada para a Gruta do Natal, a poucos quilómetros dali, onde é possível entrar num antigo tubo de lava com 697 metros de comprimento, tetos altos e poucos desníveis. O bilhete conjunto custa 12€.

Entre estes dois locais ficam as Furnas do Enxofre, que mostram o vulcanismo ainda ativo na Terceira através de várias fumarolas, com temperaturas que chegam aos 95 graus centígrados à superfície. Também por isso, os visitantes não se podem aproximar muito, conhecendo o local através de um conjunto de passadiços de madeira.

Junto à Gruta do Natal está a Lagoa do Negro, localizada no interior da caldeira vulcânica da Serra de Santa Bárbara e ponto de partida do trilho dos Mistérios Negros, onde poderá observar as acumulações de lava (agora rocha negra) que moldaram e deram nome a este local. Para final de viagem, visite ainda a Lagoa das Patas, mais um local tranquilo e cheio de beleza que, afinal, resume bem alguns dos principais atributos da Terceira. Uma ilha de alma alegre, mas de corpo sereno.

Onde Dormir

Casa do Plátano

A Terceira pode ser “a ilha festiva”, mas esta casa rural é seguramente um refúgio de sossego e tranquilidade. Situada na zona de Cinco Ribeiras, a poucos minutos de Angra do Heroísmo, a Casa do Plátano cativa-nos desde logo pelas vistas que oferece: de um lado a serra, rodeada de prados verdejantes, do outro o imenso mar, num panorama tão aberto que, em dias limpos, permite alcançar as ilhas vizinhas de São Jorge e do Pico.

Os espaços exteriores convidam, por isso, a contemplar a paisagem e a relaxar, seja no jardim, à sombra de uma pérgula de glicínias, ou na piscina em pedra que faz as delícias dos hóspedes durante vários meses, ou não fosse esta uma zona de microclima temperado ao longo do ano.

Para os dias mais frios não falta uma acolhedora lareira na sala de estar da casa principal, onde também ficam a biblioteca, a sala de pequenos-almoços, o bar (com degustações de vinhos e licores regionais), uma loja de artesanato e um quarto de casal. Noutro edifício, estão mais quatro suítes para duas ou quatro pessoas, com decoração rústica e paredes de pedra e cantaria.

Para quem procura experiências mais personalizadas há várias sugestões à disposição, como passeios de jipe ou de barco, visitas a quintas agrícolas ou jantares românticos.

Onde Comer

Beira-Mar

A apenas cinco minutos da Casa do Plátano, e outros tantos desde Angra do Heroísmo, este restaurante na zona piscatória de São Mateus é um clássico na Terceira, de portas abertas há mais de 55 anos.

O peixe e o marisco sempre fresco, com muita variedade – cerca de 20 espécies diferentes -, deram fama a um espaço de ambiente familiar, defronte para o porto de pesca e com vistas largas para o mar. Da carta, destacam-se pratos como a sopa de marisco no pão (imperdível!), a mista de peixes, a caldeirada e os peixes grelhados. Obrigatórias são também as cracas e as lapas, que dizem ser as melhores da ilha.

Caneta

Se pedir uma sugestão de restaurante a vários terceirenses, o mais certo é que todos concordem com um nome: o Caneta. Situado na costa norte da ilha, em Altares, é uma casa de decoração e cardápio típico, com atendimento simpático e ambiente acolhedor.

Aqui, as carnes são o grande chamariz, ou não fossem elas provenientes de produção própria. Da lista destacam-se, por exemplo, a alcatra regional, o bife à casa (costeleta), a espetada e a mão de vaca, entre outros. Os apreciadores de peixe também ficam bem servidos, por exemplo, como a caldeirada de congro ou a caçarola de cherne com marisco.

Tasca das Tias

Mesmo no centro de Angra do Heroísmo, é uma casa com ar e nome de tasca, mas onde não falta um toque contemporâneo, seja no mobiliário, na decoração – saltam à vista as enormes fotografias a preto e branco com gentes locais – e, claro, na cozinha, onde várias iguarias tradicionais surgem apresentados de forma contemporânea.

Difícil será optar entre petiscos e pratos mais substanciais, com sugestões que vão das lapas grelhadas, amêijoas de Santo Cristo e salada de polvo dos Açores à alcatra regional, filetes de abrótea ou bife de atum braseado. Já para sobremesa, as Queijadas D. Amélia, que devem o nome à passagem da rainha D. Amélia pela Terceira, são obrigatórias para os mais gulosos.

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Contatos

Onde Ficar

Casa do Plátano

Morada: Estrada Dr. Marcelino Costa Moles, 46; Cinco Ribeiras, Angra do Heroísmo Tel.: 295 101 283 ; 918 903 551 Preço: Desde 60€ (época baixa) ou 75€ (época alta), com pequeno-almoço incluído

Onde Comer

Beira-Mar

Morada: Porto de São Mateus, Angra do Heroísmo Tel.: 295 642 392
Preço médio:
20€/pessoa Horário: das 12h00 às 15h00; das 18h30 às 22h00. Encerra à segunda-feira.

Caneta

Morada: Às Presas, 13 (Estrada Regional), Altares, Angra do Heroísmo Tel.: 295 989 162
Preço médio:
17€/pessoa Horário: Das 12h00 às 16h00 (não serve jantares). Encerra à segunda-feira.

Tasca das Tias

Morada: Rua de São João, 117, Angra do Heroísmo Tel.: 295 628 062
Preço médio:
25€/pessoa Horário: Todos os dias das 12h00 às 23h00

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