As maravilhas de São Miguel – Açores

As maravilhas de São Miguel – Roteiro de 4 dias para uma fuga na Natureza

A maior ilha dos Açores já não é uma ilustre desconhecida, mas continua a guardar muitos segredos que tornam este destino ainda mais surpreendente, para lá dos locais de paragem obrigatória, onde apetece sempre voltar. Para que uns e outros não fiquem por visitar, o melhor mesmo é reservar quatro dias de passeios e experiências inesquecíveis, entre lagoas, piscinas naturais e vulcões adormecidos.

Venha daí, siga o nosso roteiro de inverno e descubra esta ilha única, onde o verde é mais verde, o mar está sempre à espreita e a terra tem vida própria, com uma natureza selvagem que lhe vem das entranhas.

Texto de Nelson Rodrigues

Dia 1

Saindo do aeroporto em direção às Sete Cidades, a primeira paragem é o Miradouro do Pico do Carvão, que de um só relance permite avistar a costa norte e sul da ilha, além de um enorme lençol de prados verdejantes. Um pouco mais acima ficam as lagoas do Carvão, das Empadas (atenção ao acesso íngreme) e do Canário. Nesta, a visita é obrigatória, não só pela envolvência que oferece, mas sobretudo porque serve de ponto de partida a um dos mais bonitos miradouros dos Açores, ainda desconhecido por muitos: o Miradouro da Grota do Inferno.

Depois de uma caminhada de 15 minutos que nos leva até aos 1000 metros de altitude, alcança-se um panorama arrebatador que junta várias lagoas (Rasa, Santiago e Sete Cidades), a imponência da vegetação e o mar em pano de fundo. Se for a sua primeira visita a São Miguel, acredite que esta imagem não lhe vai sair tao cedo da memória. Mais famoso e igualmente espetacular é o cenário oferecido pelo Miradouro da Vista do Rei, defronte para a cratera gigante onde repousa a Lagoa das Sete Cidades, com as suas icónicas lagoas verde e azul. Junto a elas, fica a aldeia das Sete Cidades, onde poderá almoçar – o restaurante Lagoa Azul é uma boa opção -, visitar a Igreja de São Nicolau ou mesmo dar um passeio de canoa.

Seguindo em direção à costa, o próximo destino é a Ponta da Ferraria. Prepare-se para uma descida acentuada, mas acredite que vale bem a pena, desde logo pela experiência única de mergulhar num mar aquecido por águas termais vulcânicas. E sim, até no inverno ficam quentes, sobretudo na maré baixa, embora nessa altura a ondulação possa ser mais forte. Se não quiser arriscar, o ideal é ir a banhos nas termas ali ao lado.

Rume depois até Mosteiros e admire os quatro ilhéus que deram nome à localidade, antes de chegar à costa norte da ilha, que começa na Ponta da Bretanha. A partir daí, fique a conhecer a praia do Areal de Santa Bárbara e, se a fome já apertar, comprove a fama dos bifes do Restaurante da Associação Agrícola, em Rabo de Peixe. Antes de seguir para as Furnas – a base de alojamento deste roteiro – dê ainda um pulinho até à Ribeira Grande, a segunda maior cidade da ilha, que atrai visitantes pelas suas belas igrejas, jardins e piscinas de água salgada.

Dia 2

Para começar o dia, nada melhor que um passeio pelo Parque Terra Nostra, um dos jardins mais bonitos do Mundo, repleto de vegetação e árvores exóticas, riachos, lagos e uma piscina de águas termais férreas. Daqui, siga até à Lagoa das Furnas, que ocupa a antiga cratera de um vulcão, onde vale a pena admirar a ermida de Nossa Senhora da Vitória e visitar um dos segredos mais bem guardados da região: o Parque Grená. Depois de totalmente recuperado, reabriu há pouco tempo para dar a conhecer os seus 18 hectares de floresta, regatos e cascatas, além de desafiar os visitantes a pegarem numa bicicleta ou numa canoa e partirem à descoberta. Se procurar ainda mais adrenalina, a empresa Flytime permite-lhe admirar esta zona da ilha (ou outras) a partir dos céus, num parapente ou asa delta.

A entrada do parque fica junto às caldeiras e fumarolas, onde se faz o famoso cozido das Furnas. Entre as 11h30 e as 12h15 é possível observar a retirada dos panelões do interior da terra e um deles até poderá ter o seu almoço. Para experimentar este prato típico açoriano, o ideal é reservar mesa num restaurante local, como o Miroma. Composto o estômago, é tempo de deixar as Furnas por umas horas, com a promessa de ter uma agradável surpresa no regresso.

Para já, volte à estrada, a caminho da costa norte da ilha, para conhecer a Fábrica de Chá Gorreana, onde fica a mais antiga plantação de chá da Europa (desde 1883). Quem a visitar poderá conhecer as instalações, observar o trabalho diário e, claro, provar uma xícara de chá desta marca genuinamente açoriana. Daqui, siga para a Lagoa do Fogo, subindo a serra de Água de Pau, com paragem na Caldeira Velha, onde terá à espera uma cascata e uma piscina de águas tépidas, rodeadas de frondosa vegetação. Uma vez lá em cima, num miradouro a 899 metros de altitude, fica uma vista de cortar a respiração que se torna ainda mais impressionante ao pôr do sol.

De regresso às Furnas, a prometida experiência inesquecível: um banho à luz da Lua na Poça da Dona Beija (encerra às 23h00), com águas tão quentes – a rondar os 39 graus – que parecem saber ainda melhor em noites frias ou de chuva.

Dia 3

Grande parte do terceiro dia de roteiro é passado no Nordeste, uma zona de relevo acidentado e outrora tão remota que chegou a ser considerada a 10ª ilha dos Açores. Hoje, a via rápida torna a viagem bastante mais fácil e em 20 minutos deixa-o no primeiro ponto de visita, o Parque Natural da Ribeira dos Caldeirões, onde saltam à vista os antigos moinhos e casas do moleiro (agora lojas de artesanato, cafetaria e turismo rural), além da incontornável cascata do Véu da Noiva. Apesar do ambiente sereno, este parque também pode ser palco de muita ação, já que a empresa Picos de Aventura organiza aqui experiências de canyoning que colocam os participantes a ultrapassarem cascatas e diferentes troços de caminhada. Se estive interessado, deve marcar antecipadamente e reservar algumas horas para esta atividade.

Segue-se o Jardim Botânico da Ribeira do Guilherme, alguns quilómetros mais à frente e, já depois de passar pela vila do Nordeste, as grandes atrações são os inúmeros miradouros que se encontram pelo caminho, sempre floridos e muito bem cuidados. Primeiro surgem o da Ponta do Arnel (junto ao farol com o mesmo nome) e o da Vista dos Barcos, e logo a seguir os da Ponta do Sossego e da Ponta da Madrugada. Qual deles o mais bonito? É difícil de responder, tão arrebatadoras são as vistas, que cruzam o azul do mar e o verde da vegetação, num silêncio quase absoluto.

Quando chegar ao Faial da Terra, se tiver tempo e forças, vale a pena percorrer o trilho que leva à bela Cascata do Salto do Prego (dificuldade média, cerca de 4,5 km), caso contrário siga para a Povoação, local onde se fixaram os primeiros povoadores da ilha. Antes de regressar às Furnas, passe pela Ribeira Quente para espreitar a cascata com o mesmo nome e uma das mais belas praias de São Miguel, a Praia do Fogo, rodeada de vegetação e banhada por águas tépidas.

Dia 4

Chegou o último dia de viagem. Despeça-se das Furnas com a melhor vista desta região, no Miradouro do Salto do Cavalo, e depois volte para trás e apanhe a estrada que leva até Ponta Delgada. Pelo caminho, não deixe de fazer um desvio pela Lagoa do Congro e um passeio por Vila Franca do Campo, a primeira capital de São Miguel, quanto mais não seja para fotografar o ilhéu de Vila Franca (mais acessível de barco no verão) e provar as deliciosas queijadas do Morgado, junto à marina.

Daqui o caminho até Ponta Delgada pode ser feito por via rápida em menos de meia hora, mas a estrada regional, sempre junto ao mar, tem a vantagem de ficar mais próxima de vários locais interessantes, como a Cascata do Segredo (acessível pelo trilho PR – Quatro Fábricas da Luz), a praia de Agua D`Alte ou as zonas costeiras de Caloura e Água de Pau.

Uma vez chegado a Ponta Delgada, aproveite o tempo que lhe resta de viagem para conhecer a maior localidade de São Miguel. As Portas da Cidade, com os seus três arcos, são o ponto de partida perfeito. Ali ao lado fica a Igreja Matriz de São Sebastião e também a estrada marginal, que oferece um belo passeio até às Portas do Mar, onde fica a marina e vários restaurantes, como o Porto da Espada.

Não deixe de conhecer, igualmente, o Museu Carlos Machado, o Forte de São Brás e o Convento de Nossa Senhora da Esperança. Mais afastados do centro ficam a gruta do Carvão, onde é possível entrar num antigo túnel de lava, e a plantação de ananases Augusto Arruda, com visitas gratuitas às estufas, provas de licores e uma loja onde poderá comprar um ananás para levar no regresso a casa.

Onde Dormir

Terra Nostra Garden Hotel

Poucos hotéis se podem orgulhar, como este, de juntar no mesmo espaço tanta história, glamour e encanto. E não nos estamos a referir apenas aos alojamentos açorianos ou portugueses, mas de todo o Mundo, como atestam os inúmeros prémios internacionais que a unidade tem recebido ao longo dos anos. Com uma localização única, em pleno Parque Terra Nostra, no vale das Furnas, é um boutique hotel de 4 estrelas, inaugurado em 1935, em que a inspiração Art-Déco se cruza subtilmente com outras tendências mais recentes.

No interior pode desfrutar do conforto dos quartos e das mais diversas comodidades, como o SPA ou o restaurante (também serve cozido das Furnas), mas é numa das varandas ou, de preferência lá fora, que melhor se percebe o quão privilegiada é uma estadia neste hotel. Afinal, os hóspedes têm acesso 24 horas ao jardim, totalmente gratuito e em exclusivo a partir das 16h30, altura em que o parque encerra ao exterior.

Aqui, poderão admirar um conjunto único de espécies, com destaque para a coleção de camélias, que tem quase 100 variedade diferentes e, claro, relaxar no grande tanque de águas castanhas, com águas sempre quentes, acima dos 30 graus.

Casa da Lagoa

Quem passeia pela Lagoa das Furnas não fica indiferente ao belo cenário da margem sul, com três construções a fundirem-se harmoniosamente na paisagem. A primeira é a icónica ermida de Nossa Senhora da Vitória e depois surgem dois chalés em tons cor-de-rosa que provocam suspiros aos românticos e nostálgicos. O mais recolhido, ao fundo, é precisamente a Casa da Lagoa.

Em estilo anglo-flamengo, esta casa de campo cheia de charme oferece três quartos, três casas de banho e duas salas, uma de estar e outra de jantar, ambas com vista para a lagoa.  O conforto no inverno também está assegurado por uma lareira e ar-condicionado em toda a casa.

No exterior há uma grande varanda para contemplar a paisagem e bicicletas que convidam a conhecer a zona, além de um jardim botânico pertencente à propriedade, construído em meados do século XIX, com plantas provenientes de todo o mundo.

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Contactos

Terra Nostra Garden Hotel

Morada: Rua Padre José Jacinto Botelho, 5, Furnas, Povoação
Tel.: 296 301 880
Preço: A partir de 102€ consoante a tipologia do quarto e época do ano.

Casa da Lagoa

Morada: Margem sul da Lagoa das Furnas
Tel.:  968 039 165
Preço: Desde 120€ consoante a tipologia do quarto e época do ano.

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