abertEvora,_Alentejo,_Portugal_from_the_cathedral_roof,_28_September_2005

Évora

Évora e sua região circundante têm uma rica história que recua mais de dois milénios, como demonstrado por monumentos megalíticos próximos como a Anta do Zambujeiro e o Cromeleque dos Almendres.

Segundo uma lenda popularizada pelo humanista e escritor eborense André de Resende (1500-1573), Évora teria sido sede das tropas do general romano Sertório, que junto com os lusitanos teria enfrentado o poder de Roma. O que é sabido com certeza é que Évora foi elevada à categoria de município sob o nome de Ebora Liberalitas Júlia, em homenagem a Júlio César. Na época de Augusto (r. 27 a.C.-14 d.C.), Évora foi integrada à Província da Lusitânia e beneficiada com uma série de transformações urbanísticas, das quais o Templo romano de Évora – dedicado provavelmente ao culto imperial – é o vestígio mais importante que sobreviveu aos nossos dias, além de ruínas de banhos públicos. Na freguesia da Tourega, os restos bem-preservados de uma villa romana mostram que ao redor da cidade existiam estabelecimentos rurais mantidos pela classe senhorial. No século III, num contexto de instabilidade do Império, a cidade foi cercada por uma muralha da qual alguns elementos existem até hoje.

O período visigótico corresponde a uma época obscura da cidade. Na época da dominação muçulmana, a cidade conheceu um novo período de esplendor económico e político, graças a sua localização privilegiada. As muralhas foram reconstruídas e um alcácer e uma mesquita foram construídos na área da acrópole romana.

A tomada de Évora aos mouros deu-se em 1165 pela Acão do cavaleiro Geraldo sem Pavor, responsável pela reconquista cristã de várias localidades alentejanas. Inaugurou-se assim uma nova etapa de crescimento da urbe, que chegou ao século XVI como a segunda cidade em importância do reino.

D. Afonso Henriques concedeu-lhe o seu primeiro foral em 1166, e estabeleceu na cidade a Ordem dos Cavaleiros de Calatrava (mais tarde Ordem de Avis). Entre os séculos XIII e XIV foi erguida a Sé Catedral de Évora, uma das mais importantes catedrais medievais portuguesas, construída em estilo gótico e enriquecida com muitas obras de arte ao longo dos séculos. Além da Sé, na zona do antigo forum romano e alcácer muçulmano foram erguidos os antigos paços do concelho e palácios da nobreza local. A partir do século XIII instalam-se na cidade vários mosteiros de ordens religiosas nas zonas fora das muralhas, o que contribuiu para a formação de novos centros aglutinadores urbanos. A área extramuros contava ainda com uma judiaria e uma mouraria.

O crescimento da cidade para fora da primitiva cerca moura levou à construção de uma nova cintura de muralhas no século XIV, durante o reinado de D. Dinis. As principais praças da cidade eram a Praça do Giraldo (originalmente Praça Grande) e o Largo das Portas de Moura e o Rossio. A Praça do Giraldo, sede de uma feira anual desde 1275, também foi sede dos paços do concelho (desde o século XIV) e da cadeia. Com o tempo, especialmente a partir do século XVI, o Rossio passou a concentrar as feiras e mercados da cidade.

O século XVI corresponde ao auge de Évora no cenário nacional, transformando-se num dos mais importantes centros culturais e artísticos do reino. A partir de D. João II e especialmente durante os reinos de D. Manuel e D. João III, Évora foi favorecida pelos reis portugueses, que passavam longas estadias na urbe. Famílias nobres (Vimioso, Codovil, Gama, Cadaval e outras) instalaram-se na cidade e ergueram palácios. D. Manuel concedeu-lhe um novo foral em 1501 e construiu seus paços reais em Évora, em uma mistura de estilos entre o mudéjar, o manuelino e o renascentista. D. João III ordenou a construção da Igreja da Graça, belo templo renascentista onde planeou ser sepultado, e durante seu reinado foi construído o Aqueduto da Água de Prata por Francisco de Arruda. Nessa época viveram na cidade artistas como o poeta Garcia de Resende, os pintores Frei Carlos, Francisco Henriques, Gregório Lopes, o escultor Nicolau de Chanterene e eruditos e pensadores como Francisco de Holanda e André de Resende.

Em 1540 a diocese de Évora foi elevada à categoria de arquidiocese e o primeiro arcebispo da cidade, o Cardeal Infante D. Henrique, fundou a Universidade de Évora (afeta à Companhia de Jesus) em 1550. Um rude golpe para Évora foi a extinção da prestigiada instituição universitária, em 1759 (que só seria restaurada cerca de dois séculos depois), na sequência da expulsão dos Jesuítas do país, por ordem do Marquês de Pombal. Nos séculos XVII e XVIII muitos edifícios importantes foram reformados ou construídos de raiz em estilo maneirista (“chão”). No património da cidade destaca-se a capela-mor barroca da Sé, obra do arquiteto Ludovice, e os muitos altares e painéis de azulejos que cobrem os interiores das igrejas e da Universidade.

No século XIX, Évora passou por muitas transformações urbanísticas, algumas de discutível qualidade. Na Praça do Giraldo, a cadeia e os antigos paços do concelho manuelinos foram demolidos e em seu lugar foi levantado o edifício do Banco de Portugal, enquanto que a sede do concelho foi transferida ao Palácio dos Condes de Sortelha, na Praça do Sertório. O Convento de S. Francisco também foi demolido (a igreja gótica foi poupada) e em seu lugar foi construído um novo quarteirão habitacional e um mercado. No lugar do Convento de S. Domingos foi erguido o Teatro Garcia de Resende (c. 1892). As muralhas medievais foram em grande parte preservadas, mas das antigas entradas apenas a Porta de Avis foi mantida. No século XX foi construído um anel viário ao redor do perímetro da muralha, o que ajudou na sua preservação.

Évora é testemunho de diversos estilos e correntes estéticas, sendo ao longo do tempo dotada de obras de arte a ponto de ser classificada pela UNESCO, em 1986, como Património Comum da Humanidade.

Locais a visitar no Distrito de Évora, entre outros:

Alandroal, Arraiolos, Borba, Estremoz, Montemor-o-Novo, Mora, Mourão, Portel, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas, Viana do Alentejo, Vila Viçosa.

 

Escreva um comentário

ZAMBUJEIRO-14052014-0165_t2

Monte do Zambujeiro

O Monte do Zambujeiro tem uma localização invejável e surpreendente sobre uma curva do Rio Mira, a dois passos de Vila Nova de Milfontes, criando um panorama épico dos grandes […]

IMG_3914

Monte do Vale

O Monte do Vale é um monte típico Alentejano restruturado para turismo em espaço rural. O Monte do Vale é um monte típico Alentejano restruturado para turismo em espaço rural. […]

Herdade Do Vau 05 2015 300 ppi-27 (1400 x 933)

Herdade do Vau

A Herdade do Vau nasceu de uma antiga casa de campo, reconstruída em 2012, respeitando a arquitectura tradicional do Alentejo. Está localizada num espaço mágico (Alentejo), perto do rio Guadiana, […]

Topo_sugestao alternativa LEAD 3 - SALGADINHO - View with pool and accommodations

Casa de Campo Salgadinho & Paraíso de Natureza Selão da Eira Velha

SELÃO DA EIRA – Turismo Rural no Alentejo é um turismo na Costa Alentejana que procura a sintonia entre “Natureza & Conforto” através de um conceito ecológico moderno. Fica perto […]

Casa do Largo - Crato

Casa do Largo

A Casa do Largo está localizada no centro histórico do Crato, sede da Ordem de Malta, em frente à Varanda do Prior ,resto de um antigo palácio, onde se diz […]

IMG_0284

Monte Gois Country House e Spa

Localizado em plena Serra do Mú, o Monte Gois Country House & Spa é um monte alentejano muito pouco convencional que apresenta uma mescla de cores que vão dos tons […]

CasadaMoira_Avis017

Casa da Moira

Aqui, há uma sombra tranquila, um sol quente e uma terra serena. Aqui, para si, há ALENTEJO. Situada no centro histórico da vila de Avis, a Casa da Moira surge […]

montedoramalho191

Monte do Ramalho

O Monte do Ramalho é uma herdade de carácter muito familiar e envolto na mais pitoresca paisagem alentejana. De origens agrícolas e com mais de 100 anos de história na […]

Casa da Adega (1400 x 1050)

Casas da Cerca

As “Casas da Cerca” são hoje um Turismo Rural que se destaca pela sua singularidade – 3 Casas em Terra, localizadas numa das zonas mais protegidas do Parque Natural do […]

ACCOMMODATION (2)

Zmar Eco Experience | Zmonte

Em plena Costa Vicentina, perto das mais belas praias do País, são 81 hectares de ecoturismo: um conceito de bem-estar familiar original, único na sua localização e envolvente, no seu […]